Imagem de ilustração, fonte: RedeGN

Por Luan Makini, militante do PCB e Unidade Classista.

Mais uma vez o prefeito Paulo Bonfim anuncia o fechamento do comércio depois do rápido aumento da Covid-19 em Juazeiro, que nos últimos dias bateu recordes com 30 a 50 casos em apenas 24h, chegando ao número total de 350 casos confirmados e 14 óbitos neste dia ontem (20).

Porém, não foi por falta de aviso, que a situação iria chegar a esse ponto. Desde o dia 28 de maio onde foi comunicado em coletiva a imprensa que o comércio iria reabrir, foram desferidas inúmeras críticas contra esta ação do executivo e apontava para o problema que era essa decisão. Naquele momento o Brasil já era o primeiro país no mundo em mortes diárias, em Juazeiro já se apresentava 61 casos confirmados e 4 óbitos, e tinha um agravante, não era realizado testes em massa. Então, em que dados científicos o prefeito se baseou para a reabertura do comércio?

A hipótese é, em nenhuma base científica, mas sim a partir de uma pressão feita pela categoria empresarial, visto que dias antes dessa coletiva de anúncio de reabertura do dia 28 de maio, houve uma manifestação dos comerciantes, sendo representados pelos empregados que fizeram uma marcha no centro da cidade. O prefeito também fez uma reunião com esse setor. O que leva a crer que tentou amenizar a pressão com a reabertura gradual do comércio, e 24 dias depois os números aumentaram assustadoramente, levando-o novamente a fechar este setor.

Mas, podemos culpar esse crescimento dos casos devido à circulação de pessoas no comércio? A afirmação é que não, pois, são poucos dias para ser uma consequência deste ato. O crescimento dos casos se dá pelo aumento dos testes rápidos que estão sendo feitos no município, principalmente no último mês, sendo totalizados 5 mil testes rápidos feitos. Porém, já tinha sido afirmado que o fator dos baixos casos confirmados da doença era devido a essa pouca testagem, mas isso foi ignorado.

Também, já tinha sido alertado que essa reabertura sem o controle da doença não resolvia o problema da economia, pois, a doença ainda estava presente na sociedade. Todas as experiências que abriram a possibilidade de um aumento de circulação das pessoas em cidades se mostraram desastrosas e não iria ser diferente em Juazeiro. E sem um plano sério de contenção das pessoas, para que o vírus diminua sua circulação e desafogue os leitos de UTI, o comércio, principalmente o pequeno e médio vão sofrer, pois, não tem outra opção em um momento que não tem vacina, que não seja uma quarentena séria onde possamos resguardar nossas vidas. Se tivéssemos feito isso desde o início do surto, quem sabe poderíamos estar falando agora em um plano de reabertura gradual.

Contudo, o mais triste é que a conta da decisão da reabertura ainda não chegou e o aumento de casos e mortes que estamos vendo agora é dos meses anteriores, pois leva um período para a doença manifestar-se, agravar-se e levar a óbito. Portanto, a ação desastrosa que o prefeito cometeu ainda vai ser paga pela população de forma gradual e crescente. Esperamos que a partir de agora haja uma lucidez maior dos problemas e que o gestor passe a pensar na saúde e na vida dos seus cidadãos antes de tomar qualquer iniciativa.