
Por Matheus Rodrigues, texto publicado
no dia 01 de maio no Preto no Branco.
Se antes da crise da pandemia da
covid-19 o Norte da Bahia já vivia um aprofundamento de uma crise social, com
aumento do desemprego, retirada de direitos dos trabalhadores municipais e
falta de ações no sentido de gerar emprego e renda pelos governos municipais.
No caso de Remanso, onde moro, o atraso de salários dos servidores públicos e o
não pagamento dos meses anteriores dos contratados penaliza mais ainda uma
situação que se agrava com o recuo econômico, especialmente no setor do
comércio.
A condução por parte dos governos
municipais não acompanham as demandas populacionais, uma vez que, as
desigualdades sociais atenuam a gravidade do risco de contaminação sobre a
população. Praticamente em todas as cidades, as zonas periféricas sofrem com a
falta de saneamento. Sem água, comida e ainda sujeito à outras doenças
transmissíveis em decorrência da falta de estrutura.
De cima, o governo Bolsonaro/Guedes
patrocina um genocídio. De imediato, doaram 1,2 trilhão de reais aos bancos.
Propuseram 200 reais de auxílio emergencial a milhões de trabalhadores em
vulnerabilidade, sendo derrotado pela proposta de 600 reais, que custará aos
cofres públicos somente 132 bilhões de reais.
Mesmo diante dessa situação, em que
pessoas passam fome, o Governo Federal segue com sua agenda austericida de
cortes nas áreas sociais e boicote ao auxílio emergencial. Continua perseguindo
cientistas e universidades, ataca frontalmente as recomendações médicas e, por
cima, articula com Rodrigo Maia uma saída que joga a crise para as costas dos
trabalhadores.
Alguns governos municipais seguem a
agenda reacionária de Bolsonaro/Guedes, cedem vergonhosamente às pressões dos
grandes varejistas. Em cidades como Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de
Lourdes em que a taxa de ocupação econômica da população é menos de 10% e boa
parte se aloca no comércio, o Bolsonaro surfa na demagogia de “salvar a
economia”.
É preciso desmentir alguns pontos
acerca disso. Primeiro, a economia global é afetada e praticamente em todos os
países do mundo fechará o ano em recessão. Segundo, flexibilizando o isolamento
social amplia criminosamente o número de mortes, afetando psicologicamente a
população. Terceiro, esse ano a economia não será salva, Inglaterra, Alemanha,
França e o próprio EUA que ninguém pode negar que é um país capitalista,
mudaram a política fiscal e adotam a expansão dos gastos públicos, tanto para
aumentar a capacidade de atendimento quanto para garantir as mínimas condições
renda para as suas respectivas populações.
O boicote ao auxílio emergencial no
Brasil efetuado pelo governo Bolsonaro é criminoso, gerando filas enormes nas
casas lotéricas, agências da Caixa e com a lentidão na aprovação da plataforma
criada pela Caixa. É notório como o governo age de má fé a fim de não repassar
o mínimo à população. Assim também age criminosamente com a pressão para a
abertura do comércio atendido por prefeitos, incapazes de propor uma
alternativa que preserve a vida do nosso povo.
Pelo que elenquei, ao terminar essa
pandemia, que tudo indica infelizmente com milhares de mortes, querer justiça
não é suficiente para responder a essa agenda genocida. E nem será por essa
justiça que preserva capitalistas que Bolsonaro, Paulo Guedes e cia serão
julgados. Será pela justiça do povo, por um tribunal popular, por todos aqueles
submetidos às humilhações da esfera federal à municipal.
Vingança é a justiça dos oprimidos!
Matheus Rodrigues, estudante de
Ciências Sociais, militante do PCB/BA e Unidade Classista-BA.
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