Recentemente o MEC, na figura de Abraham Weintraub,
empossou o Prof. Paulo César Fagundes Neves, do colegiado de Medicina, como
reitor pro tempore da UNIVASF. Sem participar de nenhuma etapa eleitoral, o
ministro Weintraub toma uma decisão antidemocrática, negligenciando toda a
comunidade acadêmica que escolheu o Prof. Télio Leite e Lúcia Marisy em
primeiro lugar como representantes da Universidade Federal do Vale do São
Francisco.
Essa medida se soma a várias outras intervenções
efetuadas nas Instituições Federais no Brasil afora pelo Ministério da
Educação, seguindo uma cartilha autoritária e anticientífica do presidente e
seus gurus.
Tal medida provoca consequências diretas tanto no
funcionamento da universidade quanto na ações para a comunidade externa.
Como exemplo, no que concerne à atuação interna da UNIVASF,
seguindo a cartilha do ministro subordinado a Olavo de Carvalho, teremos
avanços mais pertinentes na precarização das condições de trabalho de
professores, técnicos e estudantes. É comum nessa agenda reacionária perseguir
quem se opõe ao terraplanismo e a ignorância negacionista.
Já no que diz respeito à comunidade externa, projetos
importantes para a comunidade podem ser comprometidos e já são ameaçados, a
exemplo do Pronera de História e Ciências Sociais, que envolve a formação de
jovens do campo em parceria com movimentos sociais.
O novo “reitor” se submete ao crivo de participar de
uma palhaçada orquestrada por um ministro semianalfabeto, um presidente que
elogia a ditadura (com fortes ligações com milícias do RJ) e terraplanistas que
odeiam a ciência. Não bastasse isso, uma turma dentro da UNIVASF assalta a
reitoria através de um golpe durante uma pandemia, não passando de oportunismo
enquanto alunos, professores e técnicos respeitam as orientações
epidemiológicas para ficarem em casa reduzindo o risco de uma contaminação em
maior escala pelo vírus da covid-19.
Portanto, não reconhecemos Paulo César Fagundes
Neves como reitor, nem seus pró-reitores. A universidade é do povo, como tal,
farar-se fazer democracia e respeito às decisões abertas. Nossa universidade
tem papel central no desenvolvimento científico, social e econômico da região.
Nesse espectro, lutaremos para garantir a democracia
interna e políticas centrais para permanência dos estudantes, melhores
condições de trabalho para professores e técnicos, mais investimentos em
ciência e tecnologia para que seja dado o devido retorno à sociedade.
A terra plana dá voltas...
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